Olá, tudo bem?

Esse podcast é sobre o irrecuperável atraso tecnológico do Brasil.

E seu acelerado retorno à condição de produtor de matéria-prima e consumidor de produtos acabados.

O Conversa Afiada já observou que o Brasil voltará a ser um produtor de pau-brasil.

Assim que os bolsotários entregaram os segredos de Estado da Embraer à Boeing, ou seja, ao Pentágono, o valente senador Roberto Requião disse que voltávamos, ali, à condição de produtores de carros… de bois.

Num artigo devastador, de 30 de setembro de 2018 – “Gênese dos novos partidos da ordem: o Brasil na dança mundial”, o professor Wanderley Guilherme dos Santos criticou a obsolescência do pensamento tucano, petista e bolsonário nas eleições, diante da irrefreável quarta revolução, a segunda idade da máquina, a expansão da nanotecnologia, de novos materiais e o crescimento exponencial da capacidade de armazenar e operar gigantescas bases de dados.

A conclusão de Wanderley é sinistra, para ser gentil:

“O Brasil arrisca-se a permanecer um retardado crônico, durante o Século XXI, assim como foi um industrializado capenga durante o século XX.”

Nessa terça-feira, 15, o Presidente Bolsonaro entregou à Nação uma das suas retumbantes propostas de campanha: facilitar a posse de armas!

Na área Econômica, os chamados Primatas do tal neolibelismo se concentram numa ideia fixa: acabar com a Previdência estatal para entregá-la aos bancos, a capitalização, uma trampa que vai macular esse Governo como a Privataria Tucana marcou o Governo do Príncipe da Privataria.

Da área da Ciência e da Tecnologia não se ouve nada.

O que os bolsonários já disseram sobre… Inteligência Artificial?

Investimento em nanotecnologia?

Como, se eles vão fechar as universidades públicas, para dar curso à PEC da Morte do ladrão presidente?

Até aqui, apenas o ministro-astronauta ofereceu aos americanos o usufruto da Base de Alcântara e, portanto, da tecnologia da produção e lançamento de mísseis.

Tudo isso acontece ao mesmo tempo em que, em Las Vegas, nos EUA, se realiza o CES, Consumer Electronics Show, a maior feira de eletrônica dos Estados Unidos e do mundo, e que deve receber este ano mais de um milhão de visitantes.

Será este o ano da AI, Inteligência Artificial, do carro elétrico e da iminente aplicação do 5G.

Empresas de telefonia como a AT&T e Verizon já exibem no CES como vão entregar velocidade 5G aos consumidores da Samsung.

Essa semana, a revista inglesa The Economist publica uma reportagem especial – “A China pode vir a ser uma superpotência em Ciências?”

A resposta é… sim!

Eis alguns argumentos a favor da hipótese de a China realizar uma vertiginosa – e conturbada – ascensão a caminho da elite dos produtores mundiais de Ciência e Tecnologia:

– a China multiplicou por dez os gastos em pesquisa e desenvolvimento (R&D) nos últimos dezesseis anos;

– a China está perto de superar a Europa em R&D e a 1/3 do caminho para pegar os EUA;

– a curva dos gastos militares da China segue intensidade semelhante;

(Como se sabe, o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia nos Estados Unidos se deu com a aliança do Pentágono com as universidades públicas… A China não fará diferente. Precisa desenhar?)

– neste 6 de janeiro de 2019, se soube que a China publicou 23 dos 30 principais ensaios sobre inovação científica, no mundo;

– a China vai ampliar a sua estação espacial, com a montagem, no espaço, de módulos lançados separadamente com mísseis do tipo Longa Marcha 9;

– como se sabe, no dia 3 de janeiro, a China fez aterrissar no “lado escuro” da Lua o seu Chang’e-4;

– em abril de 2018, a China anunciou que vai lançar seis novos satélites científicos que também terão funções militares;

– a China pretende participar da construção do maior acelerador de partículas do mundo, que custa US$ 1 trilhão e ela não pode fazer sozinha;

– a China constrói nesse momento 13 usinas nucleares, para adicionar às 45 que já tem e às 43 previstas;

– a China será o maior gerador de energia nuclear do mundo;

– a China constrói nesse momento a maior bateria do mundo, em que a capacidade de armazenar a produção de energia dependerá apenas do tanque que puder guardar os eletrólitos. Assim, ela poderá substituir usinas hidrelétricas inteiras com menos custo e num espaço menor.

Em 3 de janeiro deste ano, o jornal inglês The Financial Times mostrou que a China decidiu investir US$ 12 bilhões na província de Guangdong para produzir carros movidos a energia de hidrogênio.

A China planeja produzir um milhão de carros a hidrogênio, em 2030.

Carros que, evidentemente, não conseguirão competir com o carro de bois produzido no Brasil.

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