Os debates políticos mostram que o Brasil não consegue apresentar a sério um Projeto de Nação. O enigma do país está em que, mesmo antes do microfone passar às mãos do candidato, o seu pensamento deve estar associado a uma comédia. Essa parece ser a lógica brasileira. Desenvolvimento, distribuição de renda, empregos só conseguem ser apresentados numa Zorra Total.

Certamente não existe política sem toque de comédia. A vida é bem mais do que ideologias embora precise delas. Sinistros vilões, seres malignos pertencem tanto ao teatro como a política. Talvez, por isto, os dois gostem de dividir o mesmo tablado. A contarem a próxima apropiada política!

O político acende a alma humana. A comédia política é a da ascensão ao poder. Numa eleição cada político recebe o opróbio de uma população sofrida e descontente. A sua função é dar um regozijo. Encarnar o personagem Edgar em Rei Lear a dizer ‘ O pior não chegou enquanto pudermos dizer ‘isto é pior“. E isto, fazem muito bem…!

Acontece que o Brasil vai além de Shakespeare e Marx. O seu ufanismo converte qualquer programa político em chanchada. Ninguém consegue assistir a um debate político sem gargalhar. Cada candidato chega para falar de estrelas e estrela a piada das circunstâncias. Ao final, como se estivesse num bloco de carnaval, transforma o socialismo e o liberalismo em Zorra Total.




Os deuses permitem a cada povo fazer o seu tipo de revolução. Na nossa os discursos políticos devem seguir tambores. No Brasil, para a Queda da Bastilha acontecer, em vez da Marselhesa, o hino a cantar é “A canoa vai virar, ole-olá”. E assim, fazer a História seguir…

Por MELK

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