Economia é como andar de bicicleta. Não pode parar. O seu equilíbrio é instável. O movimento é uma combinação de forças. Nem o sol pode parar nem a economia ir pro brejo. Produção, juros, inflação: só pedalando para não cair. Há uma estrada econômica a ser perseguida.

No entanto, assim como nas bicicletas, todos querem colocar suas mãos no guidão. Dirigir a economia. E fica a interrogação: quem a dirige? O governo, os bancos, as companhias, o povo? Apenas sabemos que o guidão deve estar interligado com o pedal, a correia, as rodas.

A classe dominante gosta de dizer que tudo está sincronizado. É quando alguém resolve perguntar:

— E se o pneu furar?


Essa é a questão ao guidão. Não basta dirigir à esquerda ou à direita. É necessário estar apoiado numa coisa que funcione. E o capitalismo só funciona se houver alguém que compre. É uma bicicleta que precisa de consumidor pra funcionar. Se o povão for um bom pneu os negócios vão para frente.

O jornalista cearense Xico de Sá exemplifica: ‘Um tio de Santana de Cariri dizia que o capitalismo teve inicio em sua cidade com o Bolsa Família, quando começou a vender 1 quilo de arroz, a matar bode pra lucrar. Muitas cidades saíram da prática do escambo e passaram a operar a moeda’.

Neste andar de bicicleta devem estar as bases macroeconômicas. A de gerar uma conjuntura capaz de permitir com que as pessoas consumam. Esse ser o princípio a roda girar. Pessoas sem poder de compra caem da bicicleta e se machucam.

Hoje em dia a expectativa é a de aumentar as vendas através da inteligência artificial. A possibilidade de individualizar a necessidade do cliente. Certamente um grande avanço técnico, mas e se o cliente não tiver poder de compra? Hummhh!… Para se conectar sistemas de vendas, estoques e entregas é necessário do outro lado haver alguém com dinheiro no bolso.

Muito se fala da reforma da Previdência como o grande motivo de economia. Marcam economizar 1 trilhão em 10 anos. Não perguntam: e se a roda parar de girar?

‘Mal ou bem a Previdência deixa um povo andar de bicicleta’

Por MELK

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