O século 21 traz mudanças para o Mundo e o Brasil. A disseminação do Coronavírus está a trazer uma crise sem precedentes. O Mundo vai ter que mudar.

— No quê?

A desigualdade social e o meio ambiente tem sido os temas a provocar os maiores debates. Não há dúvidas quanto a desigualdade como demonstra Thomas Pikitty baseado em evidências estatísticas. A sociedade se tornou governada por injustiças e espertezas. Também não há dúvidas quanto o aquecimento global com o progressivo desmatamento. Entretanto, existe um outro tema pouco relevado: o atraso.

O Mundo está parado em quarentena e a única certeza é que essa pandemia irá mudar o rumo da História. Não poderemos mais continuar os mesmos. Uma nova análise deverá surgir a respeito da desigualdade, meio ambiente e atraso. Uma nova síntese é esperada por elaborando esses três temas num só.

O século 21 está a trazer a Era do Conhecimento e um olhar inédito é exigido. O de entender o conhecimento como o terceiro elemento da História. Ao lado do capital e trabalho manifestarem os acontecimentos. Contudo, há uma ausência a terceirizar a presença do conhecimento.



— Como elaborar o conhecimento como dínamo social?

O século 21 não está trazendo uma nova era como a provocar o surgimento de um novo personagem social. Enquanto, historicamente a desigualdade vem sendo apresentada por atores sociais como escravos, camponeses, operários e o meio ambiente por agricultores, ecologistas — o atraso ainda está à espera de seu representante. Alguém capaz de reivindicar sua presença. Contudo, não mais estamos atrás de bolcheviques. O novo condutor social é a figura do conhecimentista. Um personagem cujo perfil deverá ser moldado através das lutas a acontecer a respeito do atraso.

— Evocar uma luta conhecimentista contra o atraso? !…

Necessitamos promover um novo discurso sobre a organização da sociedade incluindo o tema do atraso. O que faz algumas nações participarem da Era do Conhecimento e outras não? Comparemos o Brasil com a China e a Coréia do Sul. Em 1980 o Brasil exportava 20 bilhões de dólares, a China cerca de 18 bilhões, a Coréia um pouco menos. Hoje a China exporta 2 trilhões, o Brasil 200 bilhões e a Coréia do Sul 600 bilhões.

— O que aconteceu?

O Brasil está há 40 anos sem crescer no setor industrial. Essa perda de espaço o leva a ter uma economia voltada somente às commodities. A questão é se vamos aceitar ser um país agrícola sem expressão tecnológica. Enquanto a China e a Coréia do Sul estão num processo de conquista de mercado via domínio tecnológico, o Brasil começa a aceitar o seu atraso.

— O que fazer, companheiro?

O país necessita formular um discurso sobre seu atraso. A começar que o Brasil apresenta uma clara diferença educacional em relação aos países desenvolvidos. Em 1850, 90% da população dos EUA estava alfabetizada e no Brasil, naquele ano, tínhamos 90% de analfabetos. Hojé, no Japão 96,7 % dos jovens terminam o ensino médio. A média dos países analisados pela OCDE é de 76%. No Brasil 46%. Entretanto, essa não é uma questão simples. Outras a antecedem e entrelaçam.

Um novo tempo só irá eclodir quando o futuro for capaz de vencer o passado. Provocar um novo momento político. O desafio político é mobilizar o povo com alguma proposta.

— Como colocar a Era do Conhecimento na pauta política?

Esse é o desafio ao conhecimentista. Discutir politicamente o atraso. Acontece que a sociedade é complexa. Muitos temas apetecem mais a opinião pública do que o da defesa do conteúdo nacional. No entanto, essa deve ser a luta conhecimentista. Não deixar que a questão do atraso caia no vazio.

A pandemia do Coronavírus está a mostrar a importância da ciência. Explicitar que o apoio à ciência deve ser uma política de estado. Criar um ecossistema capaz de integrar educação –ciência – inovação – economia. Esse ditame do progresso é a luta conhecimentista a porvir.



O Mundo e o Brasil precisam encontrar esse novo tempo. O conhecimentista não é um novo iluminista. O seu significado de conhecimento deve unir razão, capital e social. Tornar essa integração uma ação política. Provocar ideias e ganhar músculos psicológicos para levantar a questão trabalho – capital – conhecimento. Contudo, a política só nasce quando o povo estiver desperto a ela. A colocar o atraso na sua pauta.

Por Melk

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