A inteligentzia brasileira se eleva ao sul do equador para substituir Homero e Camões. Trazer um novo recital de História. Registrar nossa mandioca. Escrever o épico que depois de Tróia não quer calar: as Brasilíadas.

Brasília se tornou o novo porto de Palos. Não mais ao Nuovo Mundo de Colombo nem a Indústria 4.0. Por incrível que pareça descobre em pleno século 21 uma nova cruzada à Terra Santa. A nos libertar dos infiéis comunistas, insalubres homossexuais, mulheres mal-amadas.

O Brasil da Era do Conhecimento chama a um novo macunaísmo. Enquanto, as nações desenvolvidas estão a disputar as fronteiras da tecnologia 5G, contra-atacamos com delírios. Encontramos os impostores a serem desmascarados. Os inimigos da nação. Combater o marxismo se tornou a solução para melhorar o desempenho do Brasil em rankings mundiais de educação.

A buzina do Chacrinha toca. Multidões atendem. Neste preposto de Chacrinha, ‘eu não vim para explicar eu vim para confundir’, um povo se lança na esperança de um destino que ninguém visualiza. Embarcam todos de brancos como se estivessem numa festa de Ano Novo. Puros das atuais ideologias políticas. Na fé de encontrar um local isento de corrupção. Acreditam existir uma Terra Prometida à política atual.

As velas são alçadas e as Brasilíadas dão partida. Viajam para criar uma alternativa ao sistema vigente. Não faltam folhas em branco a serem preenchidas. Não faltam ímpetos em noticiários, twitters, blogs etc. Há um império do mal a ser combatido. Os sarracenos serão vencidos.

Estamos todos curiosos a respeito dos destinos que as Brasilíadas irão tomar. Em seu mapa-múndi há dois continentes à frente. Um leva a Idade Média, outro a Renascença. Destemidos, o importante é partir, e não enxergar a História que vem pela frente. O perigo estará em que igual a Colombo pensarem que chegam às Índias, e, desembarcarem na América… para novamente exportar matéria-prima…!

Por MELK

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