O desafio está em seguir o trem da História. Enquanto os cientistas estão a procura das equações diferenciais que estabelecem a dinâmica dos fenômenos físicos, aos historiadores cabem perceber os cursos do trem da História. Seguirem os seus apitos.

Um modo de perceber o percurso da História é o de descer nas estações 1848, 1968, 2018. O século 19 foi o momento da revolução industrial. O manifesto comunista de 1848 trouxe a erupção da relação capital-trabalho. 1968 trouxe um outro momento. O da revolta estudantil junto com a questão operária. 2018 traz a época da revolução digital. O momento em que o conhecimento toma valor próprio.

Seguir os trilhos 1848, 1968, 2018 chama as elucubrações. Estamos num Mundo que necessita ser entendido e desembarcar nessas três estações desafia. A História é criada pelo Caminho da Mente do homem. Ela é movida por fatos. Essa é a sua dinâmica. Entre 1848 e 2018 foram 200 anos de fatos percorridos. Uma sucessão de eventos aconteceu. E aqui estamos nós.

Somos a História que criamos. A essa análise cabe-nos seguir. Entender os fatores materiais e psicológicos que conduziram a raça humana. De seu livre arbítrio a humanidade constitui seus fatos históricos. Uma conjuntura movida a diretriz e circunstância. A fabricar sonhos, desejos, teorias, tecnologias, lucros e as demais movimentações que constroem a vida do homem.

Maio 1968 aconteceu após o trem da História haver percorrido 120 anos. Desde 1848 um largo intervalo de tempo se sucedeu para que uma nova História acontecesse. Entretanto, apesar das revoltas ao redor do Mundo, 1968 acabou sendo o ano que não foi. Os seus revolucionários não conseguiram dar um passo adiante do marxismo. Ficaram devendo. Não entenderam que já naquele momento o que deveria dialogar com o capital não seria mais o trabalho, mas o conhecimento.

Maio 68 foi uma revolta anacrônica e futurista, mas que não se abriu a um novo tempo. A sua essência foi a articulação dos estudantes com a greve dos trabalhadores. Inflamou paixões, mas a História não estava pronta para os unificarem. Foram paixões que não conseguiram discutir a História a fundo. O resultado é que hoje, a força dos sindicatos diminuiu, a do capital aumentou e a academia continua iluminista. Desta vez, estamos em 2018. Decorridos 50 anos as classes dominantes estão mais abastadas, a pobreza aumentou e a academia continua iluminista.

E o marxismo continua como a única utopia. A diferença é que a Era do Conhecimento chegou. Está trazendo o valor do conhecimento a ser entendido. Ninguém mais consegue estar a parte do que está acontecendo numa folha em branco.

Os séculos 19 e 20 conduziram os significados de trabalho e capital. O trabalho junto as tecnologias proporcionaram a produção. A seguir, a produção levou a acumulação de capital que conduziu a economia a monetarização. E assim, passamos ao valor do dinheiro. Esse se constituiu no tópico das discussões entre 1848 e os dias atuais. A qualidade de Marx esteve em haver discutido o capital como valor. Contudo, o trem da História continuou, e da Revolução Industrial chegamos a Era do Conhecimento. Do valor do trabalho, valor do capital, ao valor do conhecimento. O valor cognitivo se torna a nova fonte de dinâmica capitalista. Esse é o novo tema, que Marx não debruçou, para se entender sobre as contradições do capitalismo. A questão não é mais a da mais-valia ou a da especulação financeira, mas a associação do capital com a virtualidade.

2018 chegou para implementar o que 1968 não fez. A inclusão do conhecimento como novo elemento da História. Estamos com um novo texto a ser escrito. Um convite aos marxistas, iluministas e capitalistas se renovarem. A entenderem o significado de virtualidade na história humana.

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