Petróleo: Dinheiro Fácil ou Conteúdo Nacional

Petróleo: Dinheiro Fácil ou Conteúdo Nacional

Imagem de Petróleo: Dinheiro Fácil ou Conteúdo Nacional

A surpresa do século 21 é o seu apagão a respeito de sua Era do Conhecimento. Impressiona multidões irem as ruas sem um manifesto do conhecimento. Estamos em plena Era do Conhecimento mas falta um discurso além de tecnologias. Ficamos ainda a noticiar a queda do Muro de Berlim como nosso marco histórico, enquanto causas e efeitos visíveis da Era do Conhecimento não são reconhecidos.

A época requer argumentos a colocar o conhecimento no patamar do capital e trabalho como a tríade constitutiva da organização de uma sociedade do século 21. A presença do conhecimento não apenas modifica a produtividade no trabalho como participa na formação da riqueza. Entretanto existe uma ausência histórica a respeito da relação conhecimento-trabalho-capital. Não é reconhecida. Vivemos ainda o século 19. A entender que o que define os acontecimentos é a relação capital-trabalho. Essa ser a força motora da sociedade.

A época de Sociedade do Conhecimento desafia seus pensadores a colocar o conhecimento ao lado do capital e trabalho. A unificar educação-ciência-inovação-economia. Uma nação prospera através de suas riquezas naturais agregadas ao espaço psicológico. Para isto, é necessário estabelecer um elo entre aprendizagem, modelagem, tecnologia, venda. As suas artes, ciências, justiça e economia atuarem juntas como fontes de construção da sociedade-cidadã.

A Era do Conhecimento está a trazer um novo encaminhamento. Desvendar uma nova configuração ao homem quanto ao mistério da vida, percepções da Natureza, construção da riqueza. Muitas são as suas consequências. Em estudo da Universidade de Oxford, diversos empregos estarão sendo ameaçados pelo desenvolvimentos tecnológicos, tais como cobradores de ônibus, entrevistadores de pesquisa de mercado, balconistas de serviços de alimentação, garçons. No Brasil, mais da metade dos empregos formais e informais devem ser substituídos por robôs nos próximos 10 a 20 anos, o equivalente a 52,1 milhões de postos. De acordo com estudo da COPPE, das 2,3 milhões empregadas no Rio de Janeiro cerca de 150 mil serão desempregadas pela automação nas próximas duas décadas. São operadores de caixa, vendedores de mercadorias. O estudo aponta que 99% das operadoras de telemarketing perderão seus empregos.

Uma nação deve prezar seu território como seu conteúdo nacional. Enquanto o século 19 protagonizou disputas territoriais atualmente o que contam são os territórios dos imaginários. As artes, ciências, justiça, economia são protagonistas de diversos imaginários onde cada um está a disputar seu espaço. A riqueza de uma nação está a depender do espaço psicológico que for capaz de construir.

A Sociedade do Conhecimento substitui a terra pela folha em branco. O que conta é o cultivo do conteúdo. Uma transformação que o Brasil ainda não entendeu. Vide o destino sendo dado ao pré-sal. Descoberto por engenheiros da Petrobrás cede aos interesses internacionais. Ao lucro fácil das empresas estrangeiras. Segundo engenheiros da Petrobrás o megaleilão pode gerar perda de mais de US$ 340 bilhões ao país.

A antiga luta ‘ O Petróleo é Nosso’ se submete a ganância do dinheiro fácil. Não conseguimos transformar essa riqueza natural em parque de desenvolvimento da petroquímica nacional. O significado de conteúdo local é secundário. Vivemos a visão da arrecadação rápida e damos costas a construção de navios-plataformas no país. Literalmente, nossos engenheiros ficarão a ver navios.

O Brasil tem a perspectiva de se tornar o quinto maior produtor mundial, mas está copiando o modelo nigeriano, onde pouco se desenvolve no país. O petróleo gera apenas royaltes e emprego de baixa tecnologia. Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), os novos leilões devem gerar uma demanda extra de 60 plataformas. Veremos as operadoras contratarem tudo no exterior.

O significado da geração de conteúdo local era um dos temas esperados a serem desenvolvidos pelas ideias libertarias de Maio 68. Não foi. Hoje a História delega a academia e perspectiva de conduzir a Sociedade do Conhecimento. Sindicatos entram com ação para barrar a entrega do pré-sal. O Brasil entrega às petroleiras internacionais 20 bilhões de barris de petróleo. Um prejuízo sem precedentes à soberania nacional. E a academia? Quando irá entender que o país não mais precisará de Escolas de Engenharia...

Por Melk